Quem dorme mal sente mais vontade de comer junk food, diz estudo

 

Uma pesquisa recente aponta que as pessoas que tiveram noites mal dormidas ficam mais propensas a consumir lanches, doces e refeições com alto teor calórico. De acordo com os cientistas, a falta de sono interfere em como as regiões do cérebro actuam no fenómeno de recompensa.

foto: Aaron Douglas

O estudo, publicado no periódico Journal of Neuroscience, recrutou 32 homens saudáveis com idade entre 19 e 33 anos. Eles receberam o mesmo jantar: macarrão e vitela, maçã e um iogurte de morango. Depois ganharam um dispositivo de controlo de sono, o qual tiveram que usar enquanto dormiam. Uma parte dos participantes ainda ficou acordada no laboratório, realizando actividades como jogos de salão.
Na manhã seguinte, todos voltaram para que os pesquisadores pudessem analisar a fome dos rapazes. Além disso, 29 homens tiveram seus níveis de açúcar no sangue medidos, bem como os níveis de certos hormônios ligados ao stress e ao apetite.
Os participantes fizeram um teste no qual foram mostradas fotos de 24 itens de salgadinhos, barras de chocolate e 24 itens não comestíveis, como chapéus ou canecas. Eles tiveram que avaliar o quanto estariam dispostos a pagar pelos produtos, numa escala que ia de zero a três euros.
Durante um exame de ressonância magnética funcional, eles também precisaram escolher se realmente comprariam ou não o item quando o preço fosse fixado. Uma semana depois, o experiência foi repetida, com os participantes que haviam dormido trocando de lugar, e vice-versa.
A experiência permitiu que cientistas observassem a actividade cerebral dos rapazes. Os resultados mostraram que, independente de serem privados de sono ou não, eles estavam igualmente com fome de manhã, e tinham níveis similares da maioria dos hormônios e açúcar no sangue.
No entanto, quando os homens foram privados do sono, eles estavam dispostos a pagar mais por um lanche do que quando descansados. Além disso, eles apresentaram níveis mais altos no sangue da substância des-acylgrelina – relacionada à grelina, o “hormônio da fome”.
Os resultados também mostraram que, privados de sono, os participantes tiveram maior actividade na amígdala cerebral (onde as recompensas são processadas) quando imagens de alimentos eram mostradas. E o vínculo fora mais forte entre os rapazes que pagariam por comida e a actividade no hipotálamo (envolvido na regulação do consumo). As interacções entre essas duas regiões aumentaram em comparação com as noites na qual eles dormiram.

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